quarta-feira, 25 de Novembro de 2009

Isto explica muita coisa: Real Madrid e o Estado português



Jogo dos juvenis (?) do Barcelona contra os do Atlético de Bilbau. Putos de 14 anos que já têm assimilados os mesmos princípios de jogo da equipa principal: os jogadores sempre em movimento no campo, posicionando-se de modo a criarem desmarcações e triangulações como forma de criar linhas de passe e de avançar verticalmente no terreno, com o natural ênfase no passe ao segundo/terceiro toque e o resultado sendo uma posse de bola absoluta, que retira aos adversários qualquer possibilidade de discutir o jogo.
A concretização do lance são jogos como o desta semana, em que um Barça sem Messi e Ibrahimovic , praticamente apenas com jogadores da cantera, anulou sem piedade o Inter.
E por isto é que o Real Madrid não irá ganhar de certeza absoluta qualquer título esta época. Até pode ganhar para o ano, ou para o outro, mas nunca de forma sistemática. Não há milhões que lhes valham. A solução é simples: investimento nas camadas jovens, insusceptivel contudo de gerar a curto prazo o dinheiro suficiente para pagar as gigantescas dívidas do clube à banca. Trata-se contudo de uma estratégia com resultados comprovados: veja-se o grande Real Madrid de meados dos anos 80 e princípio dos de 90, o da Quinta del Buitre, que tinha no seu núcleo cinco grandes jogadores provindos directamente da cantera: Emilio Butragueño, Miguel Pardeza, Manolo Sanchís, Míchel e Rafael Martín Vázquez.
De facto, o Real Madrid funciona como o Estado Português: uma dívida gigantesca, que se tenta combater comprando-se novos jogadores (no caso português, aumentando-se os impostos) capazes de promover grandes receitas de merchandising e de eventualmente ganhar os tão desejados troféus dentro de campo, por sua vez geradores de grandes somas monetárias. Contudo, muitas vezes os troféus não são ganhos, e os problemas estruturais por trás das dívidas (despesismo, modelos de negócio insustentáveis) permanecem incólumes, agravados ainda mais pelas sucessivas compras de novos jogadores. Como se diz aqui, adia-se o problema para daqui a uns anos, mas não se o debela: a jornada final é a falência. Do Real Madrid duvido, porque os sócios e eventualmente o Estado espanhol não o deixarão falir, mas no caso do Estado português, sem qualquer dúvida, visto que quando tal acontecer, os cidadãos portugueses já não terão um único cêntimo nos bolsos.


P.S.: Tomem o Javi Garcia como uma curiosa (por constituir o caso inverso) personificação de todos aqueles jovens portugueses que são deixados a apodrecer em terra pátria, mas que depois constroem carreiras de sucesso em todo o mundo, não interessa onde, menos em Portugal.

quarta-feira, 18 de Novembro de 2009

Quelques boutades, escritas très vitement

1. Todo o país e, em particular, o mundo político, discute a validade das escutas ao Armando Vara, nas quais o nosso PM marca presença na fita magnética, como seria de esperar... Que ninguém discuta o óbvio -o que é que elas contêm- e que nenhuma fuga de informação as tenha tornado públicas é que é de espantar.
2. Crucifixos nas escolas: o objectivo de qualquer programa estatal de ensino obrigatório, gratuito e laico é o de formar cidadãos laicos, que constituirão a curto/ médio prazo uma comunidade unida quase misticamente em torno de valores (usually, fraternidade, igualdade, liberdade) radicados não numa entidade metafísica ou transcendental (Deus, Jorge Jesus) mas sim em entes/ideias terrenas e materiais: seja a conservação da Pátria, a crença no sentido teleológico da História (progresso, cientismo) ou na razão humana.
Resumindo: os nossos socialistas apenas pugnam pela falácia do ensino público porque querem e precisam de ter poder sobre os portugueses: não só para se perpetuarem no poder formando (mal) mais e mais gerações de crianças crentes no valor do estatismo, como para dar emprego a muita gente incapaz. A solução é privatizar, o que implica perder poder, capacidade de manipulação.
Dou ainda alvíssaras a quem me explicar como é que raio um sistema de avaliação aos professores pode ser integrado num serviço que premeia a contínua progressão na carreira através dos anos de serviço e não no seu valor e trabalho, como acontece no mundo real.

sábado, 31 de Outubro de 2009

Dia de tempestade

A Juventus perde por 2-3 em casa e o Benfica sofre a primeira derrota do campeonato.

segunda-feira, 26 de Outubro de 2009

É bom saber que existem miúdas giras com um nariz igual ao meu



«Daniel», Bat for Lashes, Two Suns, 2008.

quinta-feira, 22 de Outubro de 2009

Como uma pontinha de imerecida vaidade nunca fez mal a ninguém


A Agência Ecclesia teve a amabilidade de publicar um pequeno resumo da minha comunicação, intitulada A recepção das encíclicas de Pio XI e Pio XII no jornal católico «Novidades», que eu apresentei no dia 16 de Outubro por ocasião do Colóquio Poder Temporal/Poder Espiritual: As relações Igreja-Estado no Tempo da República (1910-2009), na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.
Os meus mais sinceros agradecimentos à pequena e humilde equipa de jornalistas que estão por trás da Ecclesia.

quarta-feira, 21 de Outubro de 2009

Fox News


A Fox News é uma estação de televisão tão sensacionalista, retrógrada, intolerante e conservadora que passa séries muito respeitadoras da moralidade cristã tais como The Simpsons, Family Guy e American Dad. E ainda passa o Dexter, que narra a estória do típico cidadão americano exemplar. Quando for grande quero ser como ele.


P.S. Reparei que este é o meu 100º post. Parabéns a mim. Obrigado a quem vem cá, isto se vem alguém.

terça-feira, 20 de Outubro de 2009

Torre do Tombo

Pela primeira vez na minha vida descobri um organismo estatal em que dou por bem empregue o dinheiro dos meus impostos: o Arquivo Nacional da Torre do Tombo. Isto deve-se ao facto de eu ter descoberto no Tombo algo que nunca tinha visto antes neste país: funcionários públicos atenciosos, bem-educados, simpáticos, competentes no seu domínio de trabalho (exactamente o oposto daquilo que se passa na nojeira da Biblioteca Nacional). Bem dizem que existe uma primeira vez para tudo, mas temo que esta não seja mais que uma rara excepção que confirma a regra. A de que tudo o que é Estado cheira a incompetência e desperdício de dinheiros públicos.

sábado, 17 de Outubro de 2009

The Flaming Lips



«Do you realize», The Flaming Lips, Yoshimi battles the Pink Robots, 2002.

Militâncias

O que é absurdo num jornal como o Público (só para dar um exemplo, podia falar da TV também) é que ele faz jornalismo militante e não o reconhece em nome de uma suposta imparcialidade. Isso percebe-se pela adjectivação fácil e inexacta de pessoas e instituições, pela forma como os factos são dispostos e explicados ao longo de um texto. Ao contrário do que muitos blog(q)uistas de direita bem pensante dizem por aí, o Pacheco Pereira teve e tem toda a razão na denúncia que faz desses situacionismos. Aliás, todo o afã em que tem andado esse messias do Pedro Passos Coelho nas últimas semanas só vem confirmar o que o JPP anda a dizer há uns meses.

segunda-feira, 12 de Outubro de 2009

Ana Gomes e Natacha: uma relação mais que provável

Uma das actividades favoritas dos jornalistas quando entrevistam políticos é perguntar-lhes sobre os seus tempos de juventude. Um qualquer bom político de esquerda que se preze, invariavelmente fala dos seus préstimos de lutador anti-fascista aquando dos tempos de faculdade. De como participava em greves e reuniões gerais, de como malhava na cabeça dos reaccionários.
E como definir "jovem estudante universitário lutador anti-fascista"?
Simples, um indivíduo que não estuda, não lê livros, passa os dias no bar a beber cerveja ou a fumar haxixe (ou um qualquer derivado), participa em todas as manifs e insulta aqueles que nelas não participam. Normalmente são indivíduos filhos de papás ricos, que podem dar-se ao luxo de fazerem o que quiserem porque o papá pode sempre largar a nota. Fazem obviamente parte das juventudes do PCP ou do BE e quando pseudo-acabam a licenciatura (quase sempre ainda antes) entram direitinhos para os quadros do partido. E, rotulados como jovens promessas da política, são rapidamente enviados como deputados para o Parlamento, onde são pagos pelos contribuintes para alardearem a sua bovinidade.
E como definir "reaccionário"? Igualmente simples, um estudante pobre cujos pais matam-se a trabalhar para o filho estudar e por isso, este, sabe que ou estuda ou vai para as obras. Revoluções da treta e idealismos de pechisbeque são luxos a que ele não se pode dar o direito. O estômago fala mais alto.
Esses lutadores anti-reaccionários de antão são as Anas Gomes, os Jorges Sampaios de hoje. E enquanto outros se matavam a estudar eles revolucionavam e faltavam às aulas. Nada fizeram nem obtiveram com mérito. São eles os indivíduos que presidem aos destinos deste país.
Isto leva-me a pensar em todos os "lutadores anti-fascistas" que conheci nos meus tempos de licenciatura. A Natacha era um deles. Uma absoluta nulidade, feita do fumo do charro, do ódio aos soutiens e do arroto de cerveja. E pensar que ela, num futuro bem próximo, terá voz, directa ou indirectamente, na condução dos assuntos políticos deste país.
Mérito, rigor, cumprimento do dever, são palavras vãs para estes combatentes anti-fascistas que são os nossos políticos de hoje e de amanhã. Porque se nem na universidade eles foram capazes de provar mediante o estudo e a disciplina a sua inteligência e brio, vendo-se obrigados a enveredar pela carreira de lutadores anti-fascistas para garantir o seu futuro, então como é que no poder podem ter as bases para decidir bem e garantir que este país seja um Estado de Direito?

Com a devida vénia a este post do Paulo.

Fuck Atheism

Todos os dias tenho que gramar com chavões do tipo "a religião aprisiona a alma"; ou então "a Inquisição feita pela Igreja Católica foi responsável pela morte de milhares de pessoas"; e também a "Igreja Católica deixou os judeus serem mortos pelos nazis e não disse nada e nada fez para os salvar".
Pondo para trás todas essas balelas, eu só pergunto àqueles que tanto se preocupam com as estatísticas dos mortos: e quantos é que teriam morrido caso não houvesse Igreja Católica?; quais teriam sido as consequências da inexistência de uma moral cristã que ajudou a meter freios às vontades mais sanguinárias do Homem?
Coisas como a criação de um espaço cultural espiritualmente (quase) único na Europa; a existência de uma entidade independente e coerente que não obstante e independentemente do perigo, das pessoas e dos males (fascismo, nazismo, comunismo), quando outros viraram olimpicamente as costas ou com mais frequência tremeram de medo, nunca deixou de falar a voz da verdade, chamando os bois pelos nomes.
Por que é que raio nunca ninguém fala disto ? Porque é que raio os ateus e a esquerdalhada no geral é tão obcecada com o cristianismo ?

P.S. Ainda tenho que escrever um post sobre a relação da Ana Gomes com a Natascha do Bloco ou do PCP ou do raio que a parta. Tem tudinho a ver.

sábado, 3 de Outubro de 2009

Os amigos de Sócrates


Estes são os nossos grandes parceiros estratégicos, os amigalhaços de Sócrates (e quão ele gostaria de estar no meio deles). Dois ditadores, um totalitário e outro a caminho de sê-lo. O socialismo real no seu melhor. Diga-se que depois de proibir no ano passado os Simpsons, Chávez também já proíbiu esta semana o Family Guy.
Entretanto, apesar de toda a euforia obamistica, ainda não se negociou com os EUA a renovação do acordo da base das Lajes. Perdeu-se uma óptima oportunidade, porque os americanos queriam aproveitar as Lajes como local de teste do F-22 Raptor, o caça mais avançado do mundo. O problema é que o dito avião é bem carote, e os drones não tripulados são mais baratuchos, pelo que o F-22 corre o risco a médio prazo de ver interrompida a sua produção.
Mas isso não tem qualquer importância. O exemplo a seguir não são os EUA, um país com o qual temos uma fronteira marítima da mais alta importância. O país que ainda é o principal polo de civilização deste mundo. Não, o que conta é a Venezuela, esse facho da vanguarda socialista. Onde não existe liberdade de educação (aqui tão pouco) e a riqueza é distribuída irmãmente: pelos familiares de Chávez. Em suma, os interesses de um partido colocados à frente dos da Nação.
Diz-me com quem andas, dir-te ei quem és.
Lixo.

Numa nota mais antropológica, lembrei-me agora...

E se fossem as filhas de treze anos desse pessoal que defende o Polanski a serem violadas? Qual a diferença entre Polanski e um pedófilo? Será que aceitariam de bom grado tal acto apenas por ter sido cometido por um realizador de cinema em busca de satisfazer a sua libido, talvez em nome da inspiração artística? Então e os direitos das mulheres, o feminismo, foi tudo pelo cano abaixo? Tanto paleio para quê? Para agora porem tudo para trás por causa de um machista depravado?

Temos pena Polanski, azar técnico

Aqui na Europa prendem-se antigos guardas de campos de concentração nazis à beira da senilidade, e até se enviam para a prisão historiadores que negam o Holocausto. "Crime é crime e a lei é para cumprir" dizem políticos e elites amigas do politicamente correcto, e toda uma classe jornalística que exulta com a possibilidade de fazer justiça com a sua própria pena.
A prisão de uns quantos historiadores não deixa de ser ridícula e de ir contra os mais elementares princípios da liberdade de expressão, para além de significar a interferência da esfera política na construção da História. Não que os nossos jornalistas se importem muito com isso.
Mas quando o réu é um realizador de cinema que drogou e violou uma criança de 13 anos, fugiu cobardemente, tendo inclusive confessado o crime, então, todos as vanguardas culturais e progressistas desta velha Europa gritam a sua revolta. Malditos Estados Unidos da América, dizem eles, agora a perseguirem um de nós, um génio do cinema, um deus da cultura. A sorte é que hoje é o Obama, nem quero imaginar os clamores que se tinham levantado se isto tivesse ocorrido na presidência Bush.
Que a criança hoje adulta tenha perdoado o seu violador não é um argumento válido. Certamente, alguns judeus terão perdoado aos seus captores nazis. Mas o mal já estava feito, muita gente morreu ignobilmente, e as leis e as convenções internacionais foram rompidas sem qualquer pudor.
É que ao contrário do que julga este Ocidente, o perdão não apaga o pecado, e no caso do pecador, significa antes o princípio da sua eterna expiação. Para além do mais, aposto que a criança na altura não achou muita piada ao sucedido.
Antes de ser um realizador de cinema, Polanski é um homem, sujeito às leis do país onde reside. Pelo que as diferenças entre ele e um antigo SS ou o David Irving são nulas. Ele até podia ser o Bono, que isso não interessa para nada. Não há feitos culturais que se possam sobrepor ao primado das leis e das instituições. São os meios pelos quais se alcançam os fins que contam, não os fins per se. É a lei filhotes, temos pena. Azar técnico.

sexta-feira, 2 de Outubro de 2009

Ghost in a Shell (1995)


Juntamente com Blade Runner ou Akira, este é um filme em que a estória narrada é apenas um pretexto para suscitar todo um conjunto de questões relacionadas com a relação homem/máquina num futuro cada vez menos distante. Como a hipótese da erradicação da raça humana em favor das novas criaturas inteligentes por si criadas, entendida como algo inevitável e até desejável em nome do cientismo darwinista. Ideia muito em voga na comunidade científica mundial, que se preocupa mais com concecussão total de uma noção abstracta de progresso, do que com os meios que utiliza para o atingir, e do que com os homens que por ele serão afectados.
Assim como os contornos éticos e políticos derivados da existência de humanos superiores a outros por motivos tecnológicos (com upgrades às suas capacidades cognitivas); ou então do enquadramento político, ético e social a dar a robots capazes de emular à perfeição o comportamento humano, incluindo a capacidade de gerarem e conservarem as suas próprias emoções e memórias.

segunda-feira, 28 de Setembro de 2009

Guido Westerwelle


domingo, 27 de Setembro de 2009

Na ressaca da derrota

Os portugueses são como as mulas: não conseguem sequer ver o que está à frente dos olhos.

Conclusão: um país habitado por uma corja de idiotas como esta não merece existir, não merece ser independente. Só merece afundar-se, aniquilar-se, arder, arder, arder.

Só tenho pena de todos os infelizes que ainda não têm idade para votar: as suas vidas estão a ser destruídas pelos seus próprios pais. Os seus sonhos foram apagados pelo egoísmo de uma geração imbecil, incapaz de pensar para além do seu próprio umbigo.

Que essa geração de ineptos goze e se divirta nos próximos quatro anos. Nós cá ficaremos para depois pagarmos as dívidas. Até ao fim da nossa existência.

sábado, 26 de Setembro de 2009

Domingo

Dia 27, os portugueses só precisam de saber uma coisa. Se votarem PS, votam num partido corrupto, que nada mais tem a oferecer que a criação da pobreza e a nacionalização de toda a miséria já existente. Abrem ainda a porta aos lunáticos da extrema-esquerda, apostados em fazer um novo PREC. Se domingo os portugueses votarem à esquerda, se votarem PS, PCP ou BE, apenas confirmam que não merecem mais do que aquilo que têm.

terça-feira, 22 de Setembro de 2009

Hegel


Muito, muito mais divertido que Kant. Talvez, porque ao contrário do filósofo de Koenigsberg, Hegel saía de casa, viu o Napoleão passear a cavalo, e assistiu ao atear das fogueiras do inferno na sua própria terra.

segunda-feira, 21 de Setembro de 2009

Os ovos nascem no hipermercado: a ausência de debate sobre a agricultura

Na conversa de esquina diz-se que nunca houve em Portugal um debate pré-eleitoral tão rico: em que os candidatos se confrontaram por várias vezes, em que aceitaram fazer figura de idiotas face a outros quatro idiotas que era suposto terem graça, em que expuseram a sua intimidade e fizeram mesmo gáudio da mesma.
Confesso que não percebo o contentamento dos portugueses. É que em toda esta campanha pré-eleitoral, nomeadamente aquela que passa na TV, não ouvi NINGUÉM falar de dois temas essenciais: Justiça e Agricultura.
Sobre a justiça muito se tem escrito nos blogues, e confesso que nada vou dizer sobre ela porque não me considero capacitado para tal. Tenho as minhas análises e ideias, as minhas convicções e generalizações, todas muito insignificantes. Enfim, não sou um tudólogo - reconheço as minhas limitações intelectuais.
Já a ausência de debate sobre a agricultura, quiçá por descender de uma família provinda e arruinada pelo ramo, me toca especialmente no coração. Vejo rios de tinta e papel, centenas de horas de TV gastas a falar de um tema insignificante como o do casamento homossexual, que apenas é concernente a uma minoria da população portuguesa, enquanto que todo um sector produtivo responsável por uma boa parte do nosso sustento, que emprega milhares de pessoas e que é a única coisa que faz mexer uma grande parte da nossa província, é remetido ao esquecimento.
É como se toda esta parafernália mediática apenas visasse as grandes urbes portuguesas, como se os políticos apenas fizessem campanha para os jovens radicais que julgam que o frango nasce no KFC, e para os jovens burgueses para os quais campo é ir ao festival da Zambujeira do Mar.
Ainda existe - ou melhor resiste - todo um país profundo, composto por pessoas com a quarta classe, e que subsistem cavando a terra. Assim como um outro país, igualmente profundo, composto por jovens ou não tão jovens empreendedores, idealistas acima de tudo, que ainda acreditam que existe um futuro para a agricultura portuguesa. Ambos enfrentaram e enfrentam o desprezo do próprio Ministro da Agricultura, e a indiferença de uma ignóbil classe política que teme sujar os seus fatos "no meio de gente tão chã". Quais serão as consequências para o nosso país de tão irreflectidas atitudes?

sábado, 19 de Setembro de 2009

Notas de Espanha

1. O descontentamento popular e político em relação a Zapatero é abissal. As críticas que lhe são dirigidas são idênticas àquelas feitas a Sócrates: a obcessão pela imagem, a arrogância típica do esquerdismo e consequente recusa em encarar a realidade pós-crise económica. Em 2010, a Espanha terá quatro milhões de desempregados. Só se realizarão eleições gerais daqui a 3 anos e as "políticas de salvação nacional" do governo socialista, por entre umas vacuidades de choque tecnológico e sustentabilidade ambiental, apenas apontam para um maior despesismo. A Espanha enfrenta a bancarrota, mas a oposição encontra-se dividida: Mariano Rajoy ainda não conseguiu agregar todo o Partido Popular à sua volta.
2. Na política espanhola, o partido nacionalista Esquerra Catalán faz-nos lembrar que as vitórias do Barcelona têm uma outra face bem mais sombria. O PSOE acede às chantagens do partido catalão como forma de ter maioria no parlamento e a principal vítima é o futuro a longo prazo da unidade espanhola. Um aviso para todos os defensores do regionalismo em Portugal.
3. Porém, e ao contrário de Portugal, a imprensa tem as suas preferências ideológicas bem vincadas: ou seja, não se dedica à fútil arte de tentar ser neutra. Como sempre, o jornal ABC - monárquico, conservador e pró-unitário - faz uma oposição cerrada ao governo PSOE, partindo de um paradigma liberal e aznarista que mostra bem aquilo que o Expresso podia ser, mas que infelizmente não é. A machadada final, porém, foi o conflito entre Zapatero e a Prisa (motivado pela vontade do primeiro em dispor de um controlo mais directo dos media, em vez de estar sujeito às interferências de um grupo empresarial historicamente ligado ao PSOE e ao histórico Felipe González), cujo jornal de esquerda El País (o mais lido em Espanha) passou desde há algumas semanas para as trincheiras da oposição.
4. O anti-americanismo é prática corrente dentro das universidades espanholas, cujos alunos nutrem ainda uma grande "ilusion" por anarquismos e restantes buscas de "alternativas ao capitalismo".
5. As espanholas são mais guapas que as portuguesas: bem vestidas e mais (e melhor )maquilhadas.
6. Já a comida, essa, é na maior parte das vezes quase intragável.

quarta-feira, 9 de Setembro de 2009

Já que falamos de futebol...

Há um mito que tem de ser desmistificado. Na sequência do jogo de hoje com a Hungria, os jogadores portugueses foram unânimes na análise que fizeram do jogo: "Por vezes há que jogar feio" para ganhar.
É a velha dicotomia entre a ideia de que o futebol bonito, quer seja atacante ou de possessão de bola (e estes são dois princípios diferentes, passíveis de serem utilizados em conjunto ou separadamente, apesar do primeiro caso ser o mais frequente) permite a derrota, e de que para assegurar um resultado positivo é necessário jogar directamente, sem grandes enleios, despachando a bola para o deus dará.
Ora, na minha singela opinião, isto é uma completa falácia. Afirmar que Portugal jogou hoje mal é presumir que nos jogos anteriores jogou bem. E Portugal nunca jogou bem. Aliás, Portugal já não joga bem desde o Europeu de 2000, com Humberto Coelho. Foi nessa altura que mais perto esteve de vencer um troféu internacional a nível sénior e desde então tem sido o descalabro.
Podem-me apontar o exemplo da Holanda de 1974, que tudo dizimou mas nada ganhou. Mas a verdade é que equipas que jogam bem, e que possuem um modelo de jogo bem definido, têm sempre mais probabilidades de alcançar bons resultados, e quando os alcançam tal deve-se ao seu próprio trabalho, às consequências directamente resultantes do futebol que jogam. O seu jogar tem, logo, uma influência muito maior no resultado final: simplesmente porque têm um grande grau de controlo sobre o jogo. O Barcelona de Guardiola, é o exemplo mais óbvio e actual, sem tirar nem por.
Já as equipas que jogam à retranca, mal, sem quaisquer princípios tácticos, sem uma ideia do que querem fazer no campo, estão sempre dependentes do adversário. Ganham por sorte, estão à mercê do que o seu adversário pode ou não fazer, e aquilo que executam no relvado tem inevitavelmente muito menos relevância directa no marcador, findos os 90 minutos de jogo.
É este o caso do Portugal de Carlos Queirós (e antes do de Agostinho Oliveira e de Scolari): uma equipa medíocre, que ganha por sorte, passando todo o jogo sempre num limbo entre a derrota humilhante e o empate sofrido. E para uma equipa que se arroga pertencer à elite do futebol mundial, vencer desta forma à Hungria não é aceitável, independentemente dos contextos. Será que uma equipa como esta realmente merece ir ao Mundial de 2010?

terça-feira, 8 de Setembro de 2009

Ninguém diz isto ao Queiroz ?

"Coach, we have something to tell you. I am speaking in the name of the squad. We are getting bored during your training sessions,' Henry told Domenech, according to Le Parisien.

"In 12 years with the French team, I have never been in such a situation.

"We do not know how to play, where to be on the pitch, how to organise. We do not know what to do. We have no style, no guidelines. It is not working."

Thierry Henry sobre o trabalho de Raymond Domenech, seleccionador da França.

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O que é que custa meter aqueles peralvilhos a jogar em 4-3-3, com bolinha no chão, trocando-a rapidamente mas sem perder a sua posse? Na baliza Rui Patrício; na defesa César Peixoto, B. Alves, Pepe e Bosingwa; no meio-campo João Moutinho, Raúl Meireles (ou Deco) e Tiago, no ataque, um triângulo de Simão, Nuno Gomes e Cristiano Ronaldo. Portugal sempre teve jogadores bem dotados tecnicamente, porquê então não apostar num futebol de possessão de bola?

domingo, 6 de Setembro de 2009

Biblioteca Nacional

A BN é sem dúvida um antro de incompetência e de volúpia. Por isso é que eu estou lá todas as semanas. A segunda compensa a primeira.

Josep Guardiola ou a súmula do jogar do Barcelona



Este vídeo remete-nos para o fim dos 90min da Supertaça Europeia (Barça vs Shaktar), mesmo antes do início do prolongamento. Nele podemos ver o que Guardiola disse aos seus jogadores:
quando o modelo de jogo é bom, há que resistir sempre à tentação de mudá-lo face às adversidades.
Esta é uma das maiores qualidades deste Barcelona de Guardiola. Fiel à sua identidade, a jogar sempre bem, cumprindo os princípios adoptados no treino, a fazer aquilo que melhor sabe: trocar a bola rapidamente sem a perder, e em caso contrário, atacá-la. Taca la pala.

P.S. Uma equipa comandada por um treinador mediano teria àquela altura inevitavelmente mudado o sistema táctico ou ordenado aos seus jogadores que adoptasse um estilo de jogo mais directo. O péssimo Portugal de Carlos Queiroz não se enquadra nesta minha opinião, pois não é só uma questão de adoptar um 4-1-3-2 ou um 4-3-3. O estilo de jogo de Portugal está inquinado desde o início: é uma coisa feia, apostada em meter a bola para a frente o mais depressa possível, sem quaisquer ideias, na esperança de que o CR7, e agora o Liedson resolva a coisa. É que não se pode esperar muito de um treinador que tira do campo o Tiago, ou pode?

quarta-feira, 2 de Setembro de 2009

Love the Beast (2009)


Agrada-me a ironia, de saber que existem pessoas - leia-se: idiotas catastrofistas progressistas verdes - que preferem entregar-se de braços abertos a máquinas que elas na verdade detestam, apenas porque se adequam às suas ideologias religioso-políticas. E que na sua ânsia por essa utopia, acabam por motivar a construção de automóveis em que a relação homem/máquina está cada vez mais esbatida, ou melhor, em que existe um predomínio claro da segunda sobre o primeiro. Sem o saberem, estão a contribuir para a sua insegurança, pois a própria ideia de condução pressupõe alcançar a mais perfeita simbiose possível entre homem, máquina e estrada. Quando as premissas desta equação são desequilibradas, é fácil ver quem é que fica a perder.
Este é um filme sobre a história da relação carnal entre um homem e uma máquina, daquelas ligações amorosas que só acontecem porque as duas partes completam-se, o que só é possível de acontecer pela imperfeição que contêm em si. Agora digam-me como é possível uma coisa destas acontecer com um Chevrolet Volt, um Toyota Prius, ou um Honda Insight... Simplesmente não é, e escrevo isto apenas porque me perturba o facto de estarmos a deitar para o lixo toda uma dimensão da experiência humana, toda uma História, em nome de uma mentira global, uma gigantesca patranha inventada para encher os bolsos a meia-dúzia de inúteis, apostados em explorar ao máximo a insegurança humana causada pela percepção de que existem coisas impossíveis de controlar, não obstante todo o progresso científico entretanto alcançado.

terça-feira, 1 de Setembro de 2009

Mas qual revisionismo?

Para dizer a verdade, o Putin não pediu desculpas pela invasão da Polónia. Eles apenas escreveu que o pacto Ribbentrop-Molotov foi um erro. E foi um erro porque com esse pacto, Hitler cortou pela raíz quaisquer hipóteses a curto prazo da Alemanha ser atacada pela U.R.S.S, garantindo ainda o fornecimento de muita matéria-prima necessária ao esforço de guerra alemão. Escusado será dizer que enquanto os russos cumpriram à risca as obrigações que o tratado impunha, os alemães estiveram-se nas tintas para as mesmas.
Foi graças a esse pacto que Estaline sempre considerou inverosímeis quaisquer hipóteses de Hitler invadir a U.R.S.S. Ele sempre acreditou até ao fim que o cabo austríaco iria respeitar o tratado, que uma coisa daquelas seria impossível de acontecer. Até porque ele, o Zé dos Bigodes, tinha como plano invadir a Alemanha mais tarde, talvez por volta de 1942 ou 1943, logo que o Exército Vermelho estivesse completamente operacional, ou melhor, que já houvesse homens para substituír todas as chefias que haviam sido purgadas poucos anos antes.
Por isso é que Putin, numa perspectiva de análise diplomática/militar considerou o Pacto um erro. E por esse cânone também eu o considero um erro por parte dos soviéticos. Never trust your enemy.
Resumindo, bem vistas as coisas, o Putin está-se nas tintas para os polacos e para o massacre de Katin, que ele até desvaloriza, comparando-o com o sofrimento dos soldados russos na guerra contra a Polónia de 1920, como se não tivessem sido os soviéticos os agressores. O que espanta mais, é o destaque dado pela imprensa a estas coisas. Um homem destes, ex-KGB, não pede desculpas a ninguém. Simplesmente não entra no código genético dele. Vai contra tudo o que um líder autoritário, e russo, deve ser. Já agora, seria interessante ver qual a repercussão deste suposto pedido de desculpas na imprensa russa e a forma como ele é enunciado. Aposto que os vocábulos "desculpas" e "arrependimento" não figuram nessas notícias.

segunda-feira, 31 de Agosto de 2009

Um simples e nada ecológico exercício mental

A moda agora são os carros eléctricos. Eles vão nos salvar da nossa própria imbecilidade e impedir-nos-ão de mergulharmos no inferno causado pelos nossos horripilantes pecados ambientais. O mundo vai ficar muito mais verde, as temperaturas vão parar de aumentar apesar de estarem estáveis há não sei quantos anos, e eu vou ser considerado um cidadão exemplar, um jovenzinho progressista e modernaço. O meu lugar no céu à direita do Al Gore está garantido. À esquerda está um Prius.
Agora expliquem-me só uma pequena coisinha: quando todos nós andarmos de pópó eléctrico, de onde virá a electricidade? De centrais que utilizam carvão, certo ? E daqueles moinhos brancos que estão quase sempre desligados, certo? Mas então, e quando o sujo e negro carvão acabar ? E será que há vento suficiente para electrificar todo o mundo, mais os veículos que andam em cima dele ?
Então qual será a solução? Não será melhor aproveitar a diversidade de fontes de energia de que ainda podemos dispôr.?
Não... as consequências para a humanidade serão tremendas. Mas a quem pertence esta decisão? Onde estão os necessários estudos científicos e os cientistas para os assinar ? Hei, porque é que aqueles cientistas foram despedidos? Ah, logo vi, negacionistas... está mais que certo que têm reserva marcada no caldeirão do diabo.
Mas espera aí, existe uma coisa chamada energia nuclear! Pois, mas ela é muito cara, e os riscos a ela inerentes continuam a ser enormes.
Bem visto, mas então como é que nós ficamos ?

domingo, 30 de Agosto de 2009

O espírito Juve


Segundo Diego: "The strength of Juve is this: the capability of players of great class to adapt to a scheme and to sacrifice themselves if necessary". E eu acrescentaria: "mas retendo a liberdade para espalhar a sua magia no relvado."


Um grande dia.


A Ferrari pela mão de Kimi Raikonnen vence a sua primeira corrida do ano em Spa-Francorchamps (Bélgica) e a Juventus ganha à Roma por 3-1 fora de casa graças àquele portento da natureza chamado Diego.